sexta-feira, 23 de junho de 2017

ECONOMIA -O que o fim do e-Sedex dos Correios significa para a sua compra pela internet

Os Correios encerraram nesta semana o e-Sedex, serviço de postagem específico para comércio eletrônico, mais barato e rápido do que outras opções disponíveis para pessoas físicas e que era usado pela grande maioria das lojas virtuais.

O que isso significa para lojistas e consumidores? Segundo Rodrigo Nakagaki, presidente da Ablec (Associação Brasileira de Lojistas de e-Commerce), as compras online devem ficar mais caras e demoradas – e os mais afetados serão os pequenos empreendedores com sede em cidades mais distantes dos centros econômicos. Ou seja, aqueles que já enfrentam mais dificuldade para empreender.

Com isso, clientes acostumados a comprar pela internet podem esperar por fretes mais salgados ou prazos mais longos, pois eles virão.

Inaugurado em 2000, quando o comércio eletrônico ainda era incipiente no país, o fim do serviço fará com que as lojas virtuais optem por uma das seguintes opções: elas podem usar os outros serviços dos Correios (Sedex ou PAC), ou podem contratar uma transportadora privada para fazer sua entrega. Os Correios afirmam que preparam um novo serviço para este segmento, o Correios Log, mas a opção ainda não está disponível.

Se optar pelos serviços dos Correios, o empreendedor precisará escolher entre uma entrega rápida, porém cara, via Sedex, ou uma entrega mais barata e demorada, via PAC.

Já a opção pelas transportadoras privadas traz outros problemas. Além de oferecerem um serviço em geral mais caro que o do e-Sedex, as transportadoras não devem conseguir atender empreendedores com sede em cidades no interior ou em regiões como Norte e Nordeste. Empreendedores muito pequenos também devem ter dificuldade em contratar esse serviço.
“Muitas vezes a transportadora não terá sede na cidade de origem da remessa. Em outros casos, se o negócio for muito pequeno, ele não consegue ter acesso a esse serviço, pois as transportadoras atuam com quantidades maiores”, explica Nakagaki.

A Ablec, que representa 50 lojas virtuais, negociou com uma transportadora para conseguir um contrato mais vantajoso para seus associados. Mesmo com essa negociação, segundo Nakagaki, o frete ficará de 10% a 15% mais caro.
“A maioria das desistências nas compras virtuais acontecem por causa do frete. Com esse aumento, é possível que a desistência seja maior. Ainda mais num momento de crise em que as pessoas estão pensando mais antes de gastar”, afirma.

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